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Música ao vivo: modo de usar

Música ao vivo: modo de usar

CASAMENTO

São tantas músicas lindas, tantas que fizeram parte da paquera, do namoro, do noivado… tem a do seriado, a do filme, aquela da festa quando começou o namoro… Como escolher um repertório?

Ninguém casa pensando no próximo casamento, então esta cerimônia é um momento único na vida dos noivos. Casais casam apaixonados, encantados com as expectativas de felicidade, deslumbrados com as possibilidades infinitas da vida a dois. A cerimônia PRECISA combinar com este estado de espírito glorioso.

No final de 2017 fizemos um casamento em que o noivo é norueguês e a noiva porto-alegrense. O casal se conheceu na Noruega e mora neste país já a alguns anos. Trouxeram amigos e parentes da Europa para celebrar a cerimônia em Porto Alegre, na Igreja Nossa Senhora das Dores. CLARO que o repertório da cerimônia era completamente diferenciado: o noivo fez questão de músicas do compositor Grieg* para sua entrada, entrada dos padrinhos e das madrinhas. A saída foi o Ode à Alegria, da 9ª sinfonia de Beethoven. A formação mais tradicional impossível: quarteto de cordas.

Em contraponto, na mesma época, fizemos um casamento ao ar livre em que o noivo gosta de rock, a noiva de sertanejo e o casal ouve junto música popular brasileira com aquela pegada de samba e sertanejo. O noivo entrou com Always, do Bon Jovi, a noiva entrou com a chamada da marcha nupcial (mais conhecido como o TAN-RA-RA-RAN!) seguida da música Escolhi te esperar, absurdamente romântica. Os padrinhos entraram com Trem Bala e a saída foi com Trevo Tu para o cortejo e Despacito para os noivos. Nunca mais os convidados vão esquecer daquela cerimônia elaborada com tanto carinho e com um “astral” tão a cara dos noivos. A formação bem de acordo com o repertório: violino, teclado e violão e voz.

É assim que a gente monta uma festa de casamento: escolhendo as músicas, simbologias, sonoridades, estéticas, que mais façam sentido para os noivos. Este tipo de cuidado é a certeza de lembranças lindas que serão levada pra vida toda.

AQUI você acessa a playlist deste artigo.

 

*Edvard Grieg, compositor norueguês nascido em Bergen, cidade natal do noivo. É o mais célebre compositor norueguês, um dos mais célebres do período romântico e do mundo. As suas peças mais conhecidas são a Suíte Sinfônica Holberg (a abertura foi usada para a entrada do noivo), o Concerto para piano e a Suíte Peer Gynt (também com partes utilizadas na cerimônia)

 

Adorei o repertório diferenciado mas o padre é “chato”…

Adorei o repertório diferenciado mas o padre é “chato”…

…e só deixa tocar música cássica no casamento na igreja.

A primeira vez que alguém me falou sobre “padre chato” eu entrei em pânico. O casal tinha escolhido um repertório todo moderninho para o quarteto de cordas e a notícia veio enquanto os músicos se ajeitavam para o início do casamento em 30 min.

Respirei e fui conversar com o padre. Ele queria aprovar o repertório.

Levei a lista das músicas, conversei, combinei a Ave Maria… e por pura sorte deu tudo certo.

Pura sorte mesmo. Eu estava completamente despreparada e não fazia ideia que isso podia acontecer.

Depois disso cultivo o hábito de dar uma palavrinha com todos os sacerdotes com os quais trabalho e, quando tem, as cerimonialistas locais dos templos onde tocamos. E aprendi MUITO com isso:

Minha filha, tudo é uma questão de bom senso. Teve uma época que era moda casar com a música do Titanic. Eu barrei sempre. Como é que alguém vai começar um casamento com a imagem de um navio afundando?

Outro dia uma noiva me veio com uma gravação que a letra falava sobre a noiva, tão linda, que entrava na igreja e tals. Acontece que quando a gente ouvia a letra toda, quem estava cantando era o amante da noiva vendo ela entrar e casar com o noivo. Com é que eu vou deixar isso?”

Palavras da salvação!

Ouvi isso de um sacerdote em um templo tradicional de Porto Alegre. Essa conversa me ajudou a entender que o segredo para solucionar o “padre chato” é simplesmente o respeito.

Ás vezes, no afã de montar uma cerimônia memorável e realizar o sonho dos noivos, algumas pessoas não percebem que quando decidimos casar em um templo, estamos decidindo casar de acordo com uma série de dogmas e regras de comportamento. Não pode fazer cerimônia com músicas com letras lascivas, até chulas, que vão contra os ensinamentos da fé do templo escolhido, assim como não vamos parar o ensaio da escola de samba pra colocar um pregador com discurso preconceituoso no meio da quadra pra “ensinar” o que é certo. Não faz sentido. Não é respeitoso.

Como se resolve isso? Simples. Quando os noivos escolhem casar em templo, e a fama do sacerdote é de “chato” a primeira coisa que fazemos é ajudar na seleção de músicas que falem sempre de um amor especial, de histórias românticas, com melodias bonitas. A segunda coisa é selecionar, quando a igreja é católica, uma Ave-Maria para o momento da bênção das alianças. A terceira coisa é levar um repertório “coringa” junto na pasta de partituras para o caso de alguma das músicas ser barrada na hora de começar a cerimônia.

Mas então não tem sacerdote “chato” inviável? Tem sim. São poucos mas existem.

Daí temos que ter paciência, entender que estamos ocupando o espaço de trabalho dele e precisamos conversar com ele bem antes da cerimônia, aprovar o repertório e às vezes a formação.

Vou casar! E agora, com que música eu entro??!

Vou casar! E agora, com que música eu entro??!

Como é que a gente escolhe o repertório perfeito para o casamento?

Pois então… esta é uma dúvida recorrente e muitos noivos nos procuram completamente perdidos. Passaram a vida ouvindo MPBrocksertanejo e na hora do casamento acreditam que é preciso escolher um repertório completamente erudito e distante da realidade do casal.

Gente! A cerimônia de casamento tem que ter a cara do casal. É um momento importantíssimo que vai ser lembrado pro resto da vida e precisa representar a paixão do casal, o momento da vida. Precisa ser, daqui a 10, 20, 30 anos, uma lembrança de como era lindo este amor no dia da cerimônia.

Se os noivos querem montar um casamento BEEEMMM tradicional, típico da aristocracia europeia, tipo princesas da Disney, ok: escolhemos um repertório erudito. E fica LINDO!

Se não, vamos escolher alguma coisa que tenha a ver com o casal, com os momentos felizes e românticos que viveram e que os envolveram a ponto de… casar!

Vamos de Beatles, de Paula Fernandes, de LedZeppelin, de Elis Regina! Vamos fazer os padrinhos rirem da música escolhida para entrada deles, a mãe da noiva se emocionar já com a música da entrada, o noivo entrar com aquela música que vai fazer ele esquecer o nervosismo e sorrir.

Casamento é isso: é o momento de comemorar com os pais, padrinhos e convidados a sorte de ter encontrado alguém especial. É o momento de agradecer e celebrar.

Para isso, temos um repertório imenso e a possibilidade de montar arranjos para todas as formações.

Viola? Viola de arco!

Viola? Viola de arco!

Quando sugerimos o quarteto de cordas, as pessoas nos perguntam: “Oi? o que é um quarteto de cordas?”

Então… quarteto de cordas é a formação clássica (e mágica) que resolve 85% dos repertórios, do barroco ao sertanejo: 2 violinos, viola e violoncelo. Viola? sertanejo???

Não, não não é a viola da Inezita Barroso. A viola do quarteto de cordas clássico é a …  viola clássica (ou viola de arco): um instrumento tão antigo quanto o violino.

Ela é semelhante ao violino, só é um pouco maior que o violino. Tendo o corpo maior, o som é mais grave. A viola tem o registro de som intermediário entre o violino e o violoncelo, completando a palheta harmônica do quarteto de cordas. A viola é essencial no quarteto, fecha toda a tessitura do som, dos graves aos mais agudos: preenche a harmonia do som do quarteto.

Quando nos pedem a formação de um trio, sugerimos violino, viola e violoncelo. Assim temos toda a palheta de sons representada em 3 instrumentos.

Veja o artigo da Wikipedia sobre a viola. Na imagem do topo deste post, você pode ver um violino ao lado de uma viola.

Como disse anteriormente, a viola é o instrumento maior!